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“Entrou Elias na gruta, onde passou a noite. E foi-lhe dirigida a palavra de Iahweh nestes termos: ‘Que fazes aqui, Elias?’… Quando Elias o ouviu, cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta. Então, veio-lhe uma voz, que disse: ‘Que fazes aqui, Elias?’”.
(1 Reis 19, 9.13)

Há quem diga que projetar a vida é assumir a própria história, tomá-la nas mãos e orientar todas as energias para seu principal objetivo. De fato, o mesmo Jesus que veio não para fazer sua vontade, mas a vontade do Pai, declarou: “Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade” (Jo 10,18). Jesus entrega sua vida e, ao mesmo tempo, a tem em suas próprias mãos. Se somos chamados, como carmelitas, a viver em obséquio de Jesus Cristo com puro coração e consciência serena numa comunidade concreta, então podemos crescer até à estatura de Cristo. Podemos também entregar a vida, amadurecer nesta entrega, assumindo em nossas mãos a própria história. Podemos viver a vocação, plano de Deus e projeto de vida… Ser carmelitas.

A beleza da vocação que nos foi confiada faz dizer: quero seguir Jesus Cristo no estilo de vida carmelitana e amá-lo com todas as forças; quero abraçar o exemplo da Virgem Maria, autêntica discípula do Senhor; quero ser presença profética e orante no meio do povo; quero subir o “Monte Carmelo” e encontrar o Deus da brisa suave; quero viver a contemplação na ação e sentir com o coração de Deus. Quero ser discípulo e missionário de Cristo para que Nele os povos tenham vida; quero viver a fraternidade a todo custo e me identificar com os mais pobres e excluídos de nossa sociedade, dar a vida pela Igreja e pelo Carmelo!

Quero dialogar com todos, respeitar todas as formas de pensamento, acolher as várias manifestações de fé, tradições e culturas; quero ser sinal de contradição no mundo de hoje. Quero fazer grandes coisas ou simplesmente viver o Amor, e com amor assumir os compromissos do dia a dia. Posso dizer tão somente que me basta buscar o Reino de Deus e a sua justiça e tudo o mais virá por acréscimo.

…quero subir o “Monte Carmelo” e encontrar o Deus da brisa suave; quero viver a contemplação na ação e sentir com o coração de Deus…

Tudo muito bom e maravilhoso! Porém permanece um espaço para se responder à provocação de Deus: “Que fazes aqui, Elias?”. Talvez este espaço seja justamente o lugar da resposta que cada um pode dar a Deus hoje. Respondemos com um pé na convicção de um plano que se traduz nos compromissos de cada etapa de formação (inicial ou permanente), numa estrutura e planejamento que tem por objetivo oferecer boas condições de crescimento humano e espiritual.

Respondemos também com um pé na incerteza de um caminho marcado por indefinições. A vida é assim, a porta está aberta para o que não está previsto. Isso pode ser muito bom, se bem aproveitado para discernir os apelos de Deus, definir o ritmo da caminhada em cada momento, renovar a disposição de se encontrar no horizonte da vocação. Quem caminha está sujeito a tudo, mas a graça de Deus oferece sempre boas condições para responder e retomar o caminho. Sabemos em Quem colocamos a nossa confiança!

Desejamos, sobretudo fazer a vontade de Deus, por ela estamos aqui, esta é a nossa convicção e assim respondemos Àquele que nos interpela: “Que fazes aqui, Elias?”. Ouvimos tua voz, Senhor, bebemos da Fonte e tudo o que queremos ser encontramos no Carmelo. A cada dia, sempre de novo, respondemos: “Eis-nos aqui, Senhor, para fazer tua vontade, pra viver do Teu Amor”.

Maria, Mãe do Carmelo e Irmã dos carmelitas, anima nossa caminhada, inspira nossa vivência, ajuda-nos a ser mais fraternos e solidários uns com os outros, e com todos os que esperam de nós um sinal do amor misericordioso de Deus. Aos carmelitas dai vossas graças, ó Estrela do Mar.

Frei Jerry de Sousa Fonseca, O.Carm.