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O primeiro compromisso do Papa Francisco no domingo, 21 de janeiro, último dia do Pontífice no Peru, foi a Oração da Hora Média com as Religiosas de vida contemplativa, no Santuário do Senhor dos Milagres, em Lima. O santuário é administrado pelas Irmãs Nazarenas Carmelitas Descalças. Ao se dirigir às religiosas, Francisco disse: “Um caminho privilegiado que tendes para renovar esta certeza é a vida de oração, comunitária e pessoal. A oração é o núcleo da vossa vida contemplativa e é o modo de cultivar a experiência de amor que sustenta a nossa fé. ”

O Santuário do Senhor dos Milagres e o Mosteiro das Nazarenas é um complexo religioso, localizado no centro histórico de Lima, dedicado ao culto do Padroeiro do Peru, o Senhor dos Milagres.

Presentes no interior do Santuário cerca de 500 religiosas peruanas de vida contemplativa. O Papa foi acolhido pelo capelão da Fraternidade do Senhor dos Milagres. A saudação em nome dos presentes foi feito pela Madre Superiora das Carmelitas Descalças do Santuário, Madre Soledad, que em seu discurso falou ao Santo Padre sobre a missão das religiosas na vida da Igreja.

“Somos missionárias da contemplação e desde o silêncio do claustro nós caminhamos sob a proteção do Senhor, caminhamos juntos com o Papa, os bispos e os sacerdotes”, afirmou.

Após a Oração da Hora Média com as irmãs contemplativas, o Papa Francisco fez uma homilia iniciando com um tom alegre: “Ao ver-vos aqui, tenho a impressão que aproveitastes a minha visita para dar um passeio! Obrigado a todas vós que, no silêncio do claustro, caminhais sempre ao meu lado”. O Papa também saudou os quatro Carmelos de Buenos Aires.

Recordando as palavras de São Paulo que recebemos o espírito filial, que nos torna filhos de Deus, disse o Papa, nelas se condensa a riqueza de cada vocação cristã: a alegria de nos sabermos filhos.

“Um caminho privilegiado que tendes para renovar esta certeza é a vida de oração, comunitária e pessoal. A oração é o núcleo da vossa vida contemplativa e é o modo de cultivar a experiência de amor que sustenta a nossa fé”, disse.

Francisco citou em seguida Santa Teresinha do Menino Jesus: “Compreendi que só o amor fazia atuar os membros da Igreja e que, se o amor viesse a extinguir-se, nem os apóstolos continuariam a anunciar o Evangelho nem os mártires a derramar o seu sangue; compreendi que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo e que abrange todos os tempos e lugares, numa palavra, que o amor é eterno (…): no coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor”.

“Ser o amor! É saber assistir o sofrimento de tantos irmãos, dizendo com o Salmista: ‘Na minha angústia, clamei ao Senhor. O Senhor escutou-me e pôs-me a salvo’.”

Assim, – continuou o Papa – a vossa vida na clausura consegue ter um alcance missionário e universal e “um papel fundamental na vida da Igreja”. E Francisco fez um pedido:“Rezai e intercedei por tantos irmãos e irmãs presos, migrantes, refugiados e perseguidos, por tantas famílias feridas, pelas pessoas sem trabalho, pelos pobres, os doentes, as vítimas das várias dependências… limitando-me a citar algumas situações que se tornam, de dia para dia, mais urgentes. (…) Através da oração, dia e noite, aproximais do Senhor a vida de tantos irmãos e irmãs que, por variadas situações, não O podem alcançar para experimentar a sua misericórdia sanadora, enquanto Ele os espera para lhes conceder a graça. Com a vossa oração, podeis curar as chagas de tantos irmãos”.

Por isso – disse ainda o Papa – “podemos afirmar que a vida de clausura não fecha nem estreita o coração; antes, alarga-o graças à relação com o Senhor e torna-o capaz de sentir, de forma nova, a dor, o sofrimento, a frustração, o infortúnio de tantos irmãos que são vítimas desta ‘cultura do descarte’ do nosso tempo”.

O Santo Padre pediu ainda às contemplativas: “Empenhai-vos na vida fraterna, tornando cada mosteiro um farol que possa iluminar no meio da desunião e da divisão. Ajudai a profetizar que isto é possível. Que todas as pessoas que se aproximarem de vós possam provar da bem-aventurança da caridade fraterna, tão característica da vida consagrada e tão necessária no mundo de hoje e nas nossas comunidades”.

“Quando a vocação é vivida na fidelidade, a vida torna-se anúncio do amor de Deus. Peço-vos que não cesseis de dar este testemunho.”

E Francisco concluiu suas palavras dizendo que Igreja precisa delas. “Sede faróis com a vossa vida fiel, e mostrai Aquele que é caminho, verdade e vida, o único Senhor que oferece plenitude à nossa existência e dá a vida em abundância. Rezai pela Igreja, pelos pastores, pelos consagrados, pelas famílias, pelos que sofrem, pelos que praticam o mal, pelos que exploram seus irmãos. E não vos esqueçais, por favor, de rezar por mim”.

Fonte: Vatican News/Silvonei José

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