Papa Francisco: o Espírito Santo é o protagonista do Sínodo

“Vamos caminhar sob a guia do Espírito Santo, deixar que Ele se expresse nesta assembleia, entre nós, conosco, através de nós e se expresse apesar da nossa resistência.” – Disse o Papa na abertura do Sínodo.

O Sínodo para a Amazônia foi aberto no domingo, no Vaticano, e as sessões plenárias tiveram início na segunda-feira, dia 7 de outubro.  Bispos, religiosos, leigos e índios estarão reunidos, durante três semanas, para refletir sobre os novos caminhos de evangelização na região amazônica.

No início dos trabalhos, na sala do Sínodo, o Papa destacou o trabalho de milhares de pessoas na preparação daquele encontro, na escuta das necessidades da população amazônica e nos eventos pré-sinodais. Francisco lembrou que tudo o que for discutido a partir de agora precisa ser visto pelos mais diversos ângulos. “As discussões que começam hoje precisam envolver quatro dimensões: pastoral, cultural, social e ecológica”.

“A primeira é essencial porque abarca tudo e vemos a realidade da Amazônia com olhos dos discípulos, porque não existem hermenêuticas neutras, assépticas, sempre estão condicionadas a uma opção prévia,  e a nossa opção prévia é a dos discípulos. Mas também com olhos missionários, porque o amor que o Espírito Santo colocou em nós nos impulsiona ao anúncio de Jesus Cristo.”

Por fim, o Papa pediu atenção aos participantes para que não criem dois Sínodos, “o do lado de dentro e o do lado de fora”, referindo-se às informações que devem ser repassadas aos jornalistas com prudência. “Uma informação impudente leva a equívocos”, alertou o pontífice.

Em seguida, foi a vez do relator-geral do Sínodo para a Amazônia e presidente da Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), Cardeal Cláudio Hummes, falar. Ele afirmou em sua saudação inicial que a Igreja precisa definir novos caminhos. “Ela (a Igreja) não pode ficar sentada em casa, cuidando de si mesma, cercada de muros de proteção. Muito menos ficar olhando para trás com certa nostalgia de tempos passados. Precisa abrir as portas, derrubar muros que a cercam e construir pontes, sair e pôr-se a caminho na história”, explicou.

Também se pronunciou o secretário-geral do Sínodo dos Bispos, o Cardeal Lorenzo Baldisseri, que reforçou os dois principais objetivos do evento: “A Amazônia é uma terra de missão, com características próprias, que exigem de nós adequadas propostas para dar uma resposta à necessidade de evangelizar. Por outro lado, o Sínodo deverá enfrentar a provocação causada pela questão ambiental, respondendo com uma ecologia integral”.

O segundo dia do Sínodo

Foi de um brasileiro a proposta de como começar a jornada de trabalho no Sínodo para Amazônia, no dia 8 de outubro, no Vaticano. Os participantes, juntos com o Papa Francisco, se reuniram para a oração da Hora Média. A reflexão foi proposta pelo arcebispo de Belém do Pará, Dom Alberto Taveira.

O bispo afirmou que somos todos convidados a proclamar que a Palavra do Senhor é “mais doce do que o mel silvestre abundante em nossas terras”. O arcebispo falou sobre a certeza de que “da lei de Deus recebemos a inteligência necessária para os trabalhos a serem empreendidos, comprometendo-nos a rejeitar todos os caminhos da mentira”, baseando-se no Salmo 118(119).

No segundo dia de trabalhos, o Sínodo para a Amazônia ouviu alguns participantes que falaram sobre a realidade na própria região. Cada um pode falar por quatro minutos. A defesa dos direitos humanos e o drama da criminalização dos líderes das comunidades e dos movimentos sociais foram os temas examinados na manhã de terça-feira, por ocasião da 3ª Congregação Geral do Sínodo especial para a Região Pan-amazônica.

Fontes: Vatican News e site CNBB