Papa Francisco aos religiosos: “Não tenham medo dos limites! Não tenham medo das fronteiras! Não tenham medo das periferias!”

vida consagrada está de celebração. No ano passado não pôde celebrar sua tradicional Semana Nacional para Institutos de Vida Consagrada (a 49ª), de modo que, nestes tempos difíceis, decidiu fazer uma jornada dupla, para comemorar também o 50º aniversário.

“Consagrados para a vida do mundo: a vida consagrada na sociedade atual”, é o lema das jornadas deste ano, que contaram com um participante de luxo: o Papa Francisco, que fez um chamado claro aos religiosos (e as religiosas) espanhóis: “Não tenham medo dos limites! Não tenham medo das fronteiras! Não tenham medo das periferias!”.

Experiência dos limites

“Na vida consagrada se compreende caminhando, como sempre”, destaca o Papa. “Se compreende consagrando-se a cada dia. Se compreende no diálogo com a realidade”, acrescenta, advertindo que “quando a vida consagrada perde esta dimensão de diálogo com a realidade e de reflexão sobre o que ocorre, começa a se fazer estéril”.

“Eu me pergunto sobre a esterilidade de alguns institutos de vida consagrada, ver a causa, geralmente está na falta de diálogo e de compromisso com a realidade”, destacou, pedindo aos participantes das jornadas que “não deixem isto” e que compreendam que “sempre a vida consagrada é um diálogo com a realidade. Alguém dirá ‘sim, agora esta é a forma moderna’. Não! Pensemos em Santa Teresa. Santa Teresa viu a realidade e fez uma opção de reforma e foi adiante. Depois, ao decorrer do caminho, houve intenção de transformar essa reforma em clausura, sempre há”.

“A reforma sempre é caminho”

“Mas a reforma sempre é caminho, é caminho em contato com a realidade e horizonte sob a luz de um carisma fundacional. E estas jornadas, estes encontros, estas semanas de vida consagrada ajudam a perder o medo”, ressaltou.

“É triste ver como alguns institutos, para buscar certa segurança, para poder se controlar, caíram em ideologias de qualquer sinal, de esquerda, de direita, de centro, qualquer”, lamentou o Papa, que insistiu que “quando um instituto se reformula do carisma na ideologia perde sua identidade, perde sua fecundidade”.

Frente a isso, o Papa pediu “manter vivo o carisma fundacional é mantê-lo em caminho e em crescimento, em diálogo com o que o Espírito vai nos dizendo na história dos tempos, nos lugares, em diversas épocas, em diversas situações” e “supõe discernimento e oração”.

Coragem apostólica

Pois, culmina Bergoglio, “não se pode manter um carisma fundacional sem coragem apostólica, ou seja, sem caminhar, sem discernimento e sem oração. E isso é o que vocês estão tratando de fazer com esta semana”, que “não é se reunir para tocar violão e dizer ‘que linda a vida consagrada’, não – sim, toquem violão de vez em quando, porque cantar faz bem, como diz Santo Agostinho, ‘canta e caminha’, faz bem –, mas sim para buscar juntos para não se perder em formulismos, ideologias, medos, diálogos com nós mesmos e não com o Espírito Santo”.

“Não tenham medo dos limites! Não tenham medo das fronteiras! Não tenham medo das periferias! Porque aí o Espírito vai lhes falar. Ponham-se ao alcance do Espírito Santo. E estas semanas ajudarão, certamente, a se colocarem ‘ao alcance’”, conclui o Papa, que pede aos participantes das jornadas que “se lhes restar um ‘pouquinho’ de tempo, rezem por mim”.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – IHU