A Virgem Santíssima prefigurada antes da Traição

Ao ler-se Gn 1,1-13, no relato da criação, se vê que Deus ao iniciar sua atividade detalha cada criatura do jardim em que pretende pôr a mais bela de suas obras, o ser humano, sendo assim não por acaso o homem a última a ser realizada.

Nos primeiros cinco dias (Gn 1,14-16), Ele modelou seres e coisas que levariam o ser humano a experiência de toda a criação e de seu Criador por meio da oração, ocupações e trabalhos, não se afastando d’Ele nem de sua infinita bondade.

Deus separa em Gn 1, 1-5 a Luz das trevas. Ele sabe que as trevas possuem distinção de escuridão, que é a ausência da luz, pois elas são a ausência da Luz. Mas devido ao livre–arbítrio concedido aos homens e a escolha pelo mal, que viria a ser realizada por eles em Gn 3, 1-7, ouve-se assim o afastamento da humanidade para com seu Criador e ela passou então a viver na ausência de Deus, e na presença das trevas.

O Criador fez assim o luzeiro destinado ao dia, o astro denominado Sol, que por analogia, pode ser então a representação de Deus ao homem durante todo esse período, para lembrá-lo que o Senhor é o Criador de tudo e que este mesmo tudo depende d’Ele para ser aquecido, iluminado e para que tenha vida.

Fez também o luzeiro destinado à noite, o astro denominado lua, assim, mesmo que aos olhos humanos pareça trevas, somos embalados pela luz da lua e mesmo na penumbra enxergamos a presença do Altíssimo.

É nesse luzeiro noturno, que por analogia, encontramos a prefiguração de Maria Santíssima como sinal que naturalmente reflete o sol, isto é, a salvação e que dá o exemplo de revestir-se da presença do Altíssimo. Essa alusão mariana se conclui no livro do Apocalipse: “Então apareceu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12,1).

Pode-se dizer, portanto, que Maria é prefigurada desde a criação das primeiras coisas pelo Criador. Sendo Aquela que levaria o Senhor ao povo que d’Ele necessita, assim como viria a ser também na prefiguração como nuvem que levaria chuva ao povo de Acab (1Rs 18,44).

Ela é a portadora da esperança de salvação, é sinal, modelo e guia de toda a Jerusalém Militante rumo ao gozo eterno nos braços do Pai, pois, mesmo tendo Cristo como mediador conta-se com Maria como intercessora. Com Ela, aprende-se verdadeiramente a amar e servir ao Senhor do modo que realmente pode em suas capacidades e da maneira que se necessita de amá-Lo e servi-Lo.

Ela, indicando seu Filho aos homens, os educa, lembra e aponta o fim último durante os momentos que a alma pode andar em meio as trevas, diante de incertezas e traições. Assim como João relata no Evangelho: “Sua mãe disse aos que serviam: ‘Fazei tudo o que ele vos disser!’” (Jo 2,5), Maria mostra que não é Ela o fim que se deve esperar na caminhada, mas aponta a luz que está refletida n’Ela, a luz da ressurreição e do amanhã que há de vir, a nova criação em Cristo Jesus, o novo Céu e a nova Terra.

 

Por: Fábio Victor Vilela Dantas

Mogi das Cruzes / SP