Duas mães e o Espírito Santo

 

Finda-se o mês de Maio. E, com ele o mês dedicado à Santíssima Virgem, por nós venerada como Senhora do Carmo. E, ao término desse mês, fazemos memória daquele especial acontecimento que Nossa Senhora teve, ao visitar a sua prima Santa Isabel.

O episódio da visitação, não é simplesmente um encontro familiar sugerido do afeto, ou seja, do desejo de ajudar Isabel; é um fato histórico-salvífico, na qual  o encontro entre duas mães, faz ecoar o reconhecimento dos filhos que ambas portam no ventre.

Das palavras do anjo Gabriel, Maria compreendeu o legame principal de sua  missão; os dois nascimentos que estavam por vir e, imediatamente se colocou a serviço, para que o plano da salvação continuasse a acontecer. Vejamos como ocorreram-se os fatos:

Seis meses antes, Isabel teve a alegria de uma concepção misteriosa, acompanhada de fatos extraordinários:

Nos dias de Herodes, rei da Judeia, houve um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ambos os dois eram justos diante de Deus e, de modo irrepreensível, seguiam todos os mandamentos e estatutos do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois  de idade avançada (Lc 1, 5-7).

Assim, o evangelista São Lucas nos faz conhecer este casal,  apresentando-os de forma simples, com a humildade e confiança que eles possuíam. Mais adiante, o evangelista continuará narrando o intervento do anjo Gabriel, enquanto Zacarias estava em seu turno de serviço no Santuário do Senhor, como encontramos no Evangelho de Lucas 1, 13-17. Vejamos o último versículo:

“Ele caminhará à sua frente com o espírito e o poder de Elias, a fim de converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto (Lc 1,17)”.

Às últimas palavras, sobre a reconciliação dos homens, entre eles e Deus, precisamente, nos indicam claramente a mensagem de penitência e conversão que João Batista, proclamou e testemunhou, com sua vida e com a sua pregação.

“Completados os dias do seu ministério, voltou para a casa. Algum tempo depois, Isabel, sua esposa, concebeu e se manteve oculta por cinco meses dizendo: Isto fez por mim o Senhor, quando se dignou retirar o meu opróbrio perante os homens (Lc 1,24-25)”.

É um grito de júbilo por aquilo que o Senhor, realizou nela. O anúncio angélico da concepção, por si só foi miraculoso, visto que ela era de idade avançada e, em condição estéril a faz compreender que era parte do Plano Divino, pela qual a sua humilhação era estada permitida por Deus. Pouco depois que Isabel saiu do escondimento, eis que chega Maria Santíssima:

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa (a sul d’Oeste de Jerusalém), dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá (segundo antiga tradição, Ain Karim). Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, ouvindo Isabel a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito o Fruto do teu ventre ( Lc 1, 39-42).

Pela primeira vez, o segredo guardado cuidadosamente, por Maria Santíssima, vem proclamado à voz alta, é um encontro alegre, dominado pela Revelação do Espírito Santo, que faz Nossa Santíssima Mãe, esquecer o cansaço da viagem (cerca de 160 Km, percorridos em 5-6 dias).

Meus caros irmãos e irmãs, não é difícil fazer a ligação aqui do plano salvífico deste episódio. É um encontro de duas mães e de dois filhos. Um único vínculo às unem: o cumprimento, a realização das promessas divinas, que atuam na Encarnação do Verbo, depois de ser iniciado com a concepção do Batista.

Eis o legado que Maria há intuído com as palavras do Anjo. Enquanto ela e Isabel, se sentiam unidas pela alegria de terem um filho, vindo de forma miraculosa e divina. O mesmo anjo que falou a Zacarias, falou a Maria. O Espírito Santo que desceu sobre Isabel, para revelar os desígnios de Deus no momento daquele encontro é o mesmo que desce sobre João Batista, ainda no ventre de Santa Isabel, para fazê-lo compreender e viver na presença de Deus e transmiti-lo com graça e bondade durante o percurso de sua vida e missão.

São portanto, de máxima consideração as palavras de Santa Isabel. É a primeira pessoa que exalta Maria a predileta de Deus e sobre todas as mulheres. É a primeira pessoa que reconhece Maria como Mãe do Senhor, iniciando aquela série de bençãos e invocações, que percorrerão séculos, em todas as gerações. É Isabel, que proclama a Beatitude evangélica, atribuindo-la à Santa Mãe de Deus, aqui está o verdadeiro segredo da grandeza da Virgem, na qual Cristo, Senhor nosso, fará alusão durante sua vida pública (cf. Lc 11,27-28).

Há também, uma alusão bíblica de particular importância para compreender a missão de Maria, nós a  encontramos no capitulo 6, versículo 9 de 2 Samuel:

“Como virá a Arca do Senhor para ficar em minha casa?”. Sim, prezados! A Virgem Santa, é o novo Tabernáculo de Deus. O referimento à Arca é agora mais acentuado nas palavras com as quais São Lucas, conclui este episódio da visitação:

“Maria permaneceu com ela cerca de três meses e depois voltou para casa.” (Lc 1, 56). Vem espontaneamente o seguinte paralelo: “A Arca do Senhor, permaneceu três meses na casa de Obed-Edom de Gat, e o Senhor abençoou Obed-Edom e toda a sua casa.” (2 Sam 6,11). Justamente ocorre sempre este conceito, de ver em Maria a Arca do Novo Testamento.

É evidente a missão de Maria Santíssima no encontro com Isabel: ela é aquela que porta Jesus, que provoca o intervento do Espírito Santo e obtêm aquela graça que ilumina as mentes, transformando às pessoas (o Batista), enchendo-O de alegria, ainda no ventre de sua mãe.

A visitação, significa em primeiro lugar, o anúncio alegre do Messias e, ao mesmo tempo, proclama a missão medianeira de Maria. Quantos em seguida exultarão a Mãe terna e boa, medianeira de graças, que pediram o seu encontro ou seu favor e proteção?

Sim, prezados. basta a nós a voz da Virgem de Nazaré, para fazer-nos descobrir a presença de Cristo, para fazê-lo reconhecido, amado e adorado, provocando em nós o intervento do Espírito Santo, Senhor que dá a vida.

Que como Santa Isabel, saibamos acolher a Medianeira em nossas vidas, porque através dela, vem Jesus, o Justo e o Santo. Boa Festa, boa continuidade!

Frei Marlom Francis, O.Carm.

Promotor Vocacional