Elias, homem de Deus e do povo

“Levanta-te e come! Ainda te falta um longo caminho!” Foi o que o anjo disse ao Profeta Elias (1 Reis 19,7). É o que o próprio Elias diz hoje a nós, Carmelitas.

Elias, homem de Deus e do povo – viver na presença do Deus Vivo, estar às suas ordens, disponível sempre, aberto à ação do Espírito Santo, atento aos apelos de Deus que nos vem dos fatos, dos pequenos que são fiéis ao plano de Deus.

Homem pronto a denunciar tudo aquilo que contradiz a Aliança e quebra a justiça, pronto a revelar a BOA NOVA do DEUS VIVO e VERDADEIRO!

Antigos documentos nos dizem que no final do século XII, havia um grupo de homens que se estabeleceram junto à fonte de Elias para levar vida eremítica e o fizeram de exemplo. Foi assim que nasceu a Ordem do Carmo.

Elias “profeta de fogo” é para a Ordem do Carmo, Pai e Inspirador. A figura do Profeta Elias é fonte de inspiração para a vida dos carmelitas e das carmelitas. Duas são as máximas que resumem os aspectos mais fortes da espiritualidade da Ordem do Carmo: “Vivo é o Senhor em cuja presença estou!” 1Reis 17,1 e “Eu me consumo de zelo pelo Senhor, o Deus dos Exércitos!”

Elias, cujo nome significa “o Senhor é meu Deus”, aparece de forma abrupta na História do Reino de Israel, e já com um brilho prodigioso: “Suas palavras queimavam como uma rocha ardente. Elias, o profeta, levantou- se logo como um fogo” (Ecle 48, 1-10).

Sabe-se que ele nasceu em torno do ano 900 a.C. em Tesba de Galaad, junto à fronteira do país dos amonitas (atual Jordânia). “Quando Elias estava para nascer, seu pai Sabacha viu-o saudado por alvos anjos, envolvido por faixas de fogo e alimentado com chamas. Tendo ido a Jerusalém, relatou [no templo] a visão, e o oráculo lhe disse que não temesse, pois aquele que ia nascer habitaria na luz, suas palavras seriam sentença segura e julgaria Israel com gládio e fogo” (Doroteu, Sto. Epifânio e Metafrates, apud Cornelio a Lápide, Comentários ao Livro 1º dos Reis, cap. 17).

Sua vida foi repleta de aspectos extraordinários. Numerosos autores lhe atribuem a virgindade perpétua, embora essa virtude fosse rara em seu tempo. O famoso exegeta Cornélio a Lápide lhe confere, logo no início de seus comentários, a santidade, austeridade e inocência de vida. Mostra, depois, como o profeta se tornou fundador da vida monástica e eremítica, ao retirar-se para o Monte Carmelo, onde se dedicou à contemplação, reunindo Eliseu e vários discípulos.

A nuvenzinha e a Mãe de Deus

Entre Elias, sua missão e os lugares onde viveu existe uma bela harmonia, muito bem ressaltada pelo autor do Livro dos Reis. E um dos méritos do escritor inspirado é o de fazer sentir esse acordo profundo. Carit evoca o espírito eremítico de Elias; o Horeb, sua intimidade com Deus; Sarepta, seu espírito de obediência ao Senhor e sua prudência.

O Carmelo, a montanha da renovação da Aliança de Deus com seu povo, recorda seu zelo pela glória do Altíssimo e sua fé inquebrantável. Carmelo é um nome derivado do hebraico Karem, que significa jardim ou pomar e vinha do Senhor. Era o local apropriado para Elias rogar fervorosamente a Deus pela chuva. Logo após o confronto com os 450 “profetas” de Baal, Elias subiu ao cimo desse monte e orou a Deus. Por sete vezes mandou seu servo olhar para as bandas do mar, para verificar se havia sinal de chuva. “Na sétima vez o servo respondeu: ‘Eis que sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão’ (…) Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente” (1Reis 18, 42-45).

Deus ouvira novamente o santo profeta: “A oração fervorosa do justo tem grande poder” (Catecismo da Igreja Católica, nº 2582).

Segundo uma longa tradição na Igreja, aquela “nuvenzinha”, prenunciadora da chuva, prefigurava a Santíssima Virgem. No Novo Testamento, Ela faria “chover sobre a humanidade” o Redentor, e, depois, as graças obtidas por sua intercessão. O profeta Elias é considerado seu primeiro devoto.