Maio, mês bendito das glórias daquela que é por direito a Rainha da Glória

Ó Ditoso mês, mês de alegria, quanto nos consola o mês de Maria!

Maio despontou! O mês de maio é o mês mais esperado pelos devotos da Virgem Maria. Ele carrega em si um grande significado em sua letra inicial. A letra M que vem da mesma palavra Mãe que sustenta também o nome daquela que é venerada durante todo o seu percurso, Maria, a Mãe de Jesus e nossa. Maria de Nazaré, Maria do povo de Deus, Maria que tem mais de três mil títulos. Sim, o mês de maio é o mês todo de Maria, o mês Mariano popularmente chamado.

Maio é o mês em que os olhares se voltam somente e tão somente para o Trono da Graça. Trono esse que “desce por um mês” a terra para receber de seus “súditos” os cantares e louvores. São tão imensos, tais homenagens à Mãe de Deus que chegam a abalar as alturas celestiais, enchem os anjos de gozo e os santos de alegria. Derrubam as potências infernais e seus anjos malignos choram de vergonha e desespero porque em toda face da terra existe uma Mulher que jamais foi seduzida pelo seu veneno pecaminoso.

Sim! A Virgem Imaculada foi desde o primeiro instante de sua Concepção no Seio Virginal de Sant’Ana toda de Deus. Jamais Maria olhou para outra direção que não fosse Deus. É por este motivo que toda a terra lhe canta hinos em louvor de seu Nome que é magnifico e cheio de pureza.

Desde os tempos mais antigos da história de fé da Igreja, nunca se ouviu dizer que onde tenha um devoto da Virgem, não se tenha celebrado o mês mariano. Desde as casas das famílias mais devotas, seja nas capelas ou catedrais, durante os 31 dias do mês bendito ouve-se cantar os mais sublimes cânticos tirados muitas vezes da piedade popular dos fiéis ou dos grandes compositores litúrgicos para honrar a tão boa mãe, seguido tantas vezes por solenes coroações.

No entanto poderíamos nos perguntar: Qual a origem do Mês Mariano? Vejamos então como começou essa belíssima devoção e como ainda hoje ela é vivenciada e, praticada por todos que a veneram, amam e reconhecem em Maria, a Mãe do Verbo Encarnado a intercessora e o caminho seguro para se chegar a Deus.

A devoção a Maria Santíssima é tão antiga quanto a Igreja Católica, mas a devoção de lhe consagrar o mês de maio, denominado de Mês Mariano, teve início em meados do século XIX, encontrando desde logo os aplausos dos Santos que surgiram dessa época em diante.  Um desses Santos, que mais entusiasticamente abraçaram a nova prática de piedade mariana, foi São José Bento do Cottolengo. Seu nome era no italiano, Giuseppe Benedetto Cottolengo (3 de maio de 1786 – 30 de abril de 1842), ele foi o fundador da Casa da Divina Providência do qual se lê que entre as diversas práticas de piedade em honra de Maria, adornava sempre com flores frescas os numerosos altarzinhos da imensa Pequena Casa da Divina Providencia.

Mas, quando chegava o mês de maio era o verdadeiro triunfo da perfumada colheita em torno de Maria. Nos tempos de Cottolengo começava apenas a se difundir o costume de consagrar a Maria esse mês e ele quis logo adotá-lo na Pequena Casa, ordenando que todas as famílias do asilo o celebrassem, honrando com alguma prática especial a Augusta Rainha da casa.

A principal oração dessas noites santas do mês de maio é a recitação do santo Rosário (terço), precedido sempre das ladainhas e cânticos da Salve Rainha em diversas melodias, além de tantos outros louvores a Virgem Pura dos céus.

Os grandes santos da Igreja que foram considerados os mais devotos da Virgem como por exemplo São Bernardo, Santo Afonso de Lígorio e tantos outros compuseram textos, orações, poemas para honrar as virtudes de tão grande Mulher que por meio do seu sim nos veio a Salvação.

Então, quais os motivos que nos conduzem a celebração deste mês com tanto fervor?

O primeiro motivo que leva os fiéis devotos da Virgem Maria a prestar-lhe homenagens durante todo um mês é para honrar a sua Dignidade que é incomparável.  Maria é a mais santa de todas as criaturas, a obra prima das mãos de Deus, a Rainha do céu e da terra, a protetora e a Mãe dos cristãos, a dispensadora de todas as graças e o que excede tudo o que o espírito humano pode compreender, é a Mãe de Deus, dela nasceu o adorável Jesus.

O segundo motivo é porque os seus devotos querem seguir os exemplos dos santos que foram em vida devotos da Virgem Maria. O exemplo de tantos bem-aventurados que se sacrificaram ajudados pela devoção a Maria e pelo socorro de sua proteção deve incitar-nos a reanimar em nossos corações os sentimentos de respeito, confiança e amor que devemos a tão boa mãe.

Ainda um terceiro motivo de cantar os louvores a Mãe de Deus são as vantagens dessa devoção. Mais facilmente acabarão os céus e a terra, diz o devoto Luiz de Blois, do que Maria deixar de socorrer aquele que sinceramente a implora.  Santo Anselmo não duvida ao afirmar que um verdadeiro servo de Maria não pode perecer eternamente. Sendo assim, podemos lembrar uma parte da piedosíssima oração atribuída a São Bernardo que traduz isso que lemos acima. A oração diz:

“Lembrai-vos Ó Piíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer que alguém que tenha invocado o vosso nome, recorrido a vossa proteção tenha sido por vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho, e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai- Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Amem”.

Sim, Maria, é aquela fonte inesgotável do amor de Deus. Jamais um filho pede algo a sua mãe que não tenha resposta dela. Do mesmo modo é assim a Virgem Imaculada quando algum de seus filhos recorrem a ela com amor, piedade e coração sincero.

Para nós, que pertencemos a sua Ordem, a Ordem Carmelitana, cantar os louvores a Virgem no seu mês já é um aquecimento para nos prepararmos para sua grande Solene comemoração em julho. Desse modo expressemos o nosso amor e devoção em forma de cântico tirado da boca dos compositores litúrgicos que diz: “Salve Mãe! Na terra dos meus amores. Te saúdam todos os cantos que elevam o amor. Rainha de nossas almas, Flor entre as flores. Mostra aqui, da tua Glória os Resplendores que no Céu te amam melhor. Virgem Santa, Virgem Pura, vida Esperança e doçura, da alma que em Ti confia…”

Que ao nos confiarmos nas mãos de Maria possamos sempre cantar os louvores daquela que é a Gloriosa Mãe de Deus e que em seu bendito mês de maio possamos também colher as flores mais perfumadas para ornar o seu altar. Proponhamo-nos, pois, passar o mês de maio tão santamente que nossa vida seja uma fiel imitação da vida desta admirável Mãe a qual celebramos com jubilo e veneração filial. Por isso digamos: “Neste mês de maio, mês de tão lindas flores. Queremos de Maria, celebrar os louvores!” Amém.

Viva a Virgem Maria! Viva o Mês Mariano!

Bem-vindo ó maio bendito!

Frei Ivanildo Justino, O. Carm,