O que acontece na Terça-Feira Santa

Neste terceiro dia da Semana Santa, nos conta as Sagradas Escrituras que Jesus retornou a Jerusalém e foi confrontado pelas autoridades religiosas do templo, irritadas com o fato Dele se colocar como uma autoridade espiritual. As conspirações contra Jesus eram cada vez maiores, e houve até uma tentativa de emboscada para prendê-lo.

No final do dia, acontece o contexto da Última Ceia, onde Jesus anuncia que haverá uma traição. O Evangelho nos chama atenção para este momento da traição.

EVANGELHO DE HOJE

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.

Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?”

Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”.

Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: ‘Compra o que precisamos para a festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite.

Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’”.

Simão Pedro perguntou: “Senhor, para onde vais?” Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas seguirás mais tarde”. Pedro disse: “Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!” Respondeu Jesus: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

REFLEXÃO

Jesus sente a dor de ser traído. O gesto de Judas Iscariotes toca profundamente a Jesus porque Ele traiu a confiança d’Ele. E nós sabemos como é a dor de uma traição. Como é terrível quando alguém experimenta uma traição!

Ao contemplar essa Palavra, talvez, você, que esteja passando por uma situação assim: uma traição na família; no casamento; numa amizade; num relacionamento. E, hoje, você precisa mergulhar o seu coração no coração de Cristo, que experimentou profundamente a dor da traição. Nós diríamos que esse foi o primeiro golpe da Paixão de Jesus; uma ferida na sua relação de amizade com Judas, porque Jesus queria muito bem a Judas, assim como a todos os discípulos, então, foi o primeiro golpe.

Diz a Palavra, que os discípulos começaram a olhar uns para os outros; eles começaram a se examinarem. E é bom que nós façamos esse gesto; é bom que nós olhemos para dentro do nosso coração e enxerguemos também as nossas traições a Jesus; as nossas infidelidades ao Nosso Senhor. A Semana Santa não pode ser teatral; ela tem de ser vivencial; e esse mistério precisa tocar a minha e a sua vida para um bom exame de consciência.

Nesta Última Ceia de Jesus, com os seus discípulos, ao lado da figura de Judas, aparece a figura de João, o discípulo amado. Aquele que estava encostado no peito de Jesus, na Última Ceia. Que privilégio João teve! O privilégio de escutar as batidas do coração de Jesus; escutar as batidas do coração do Redentor! E isso fala muito para nós, pois João não era um privilegiado só porque poderia ter informações privilegiadas; poderia saber quem era o traidor; não é isso! O mais importante é que nós nos coloquemos no lugar de João.

Nós não somos chamados a viver a experiência de Judas; somos chamados a viver a experiência de João, o discípulo amado, que está ao lado do seu Senhor até às últimas consequências. João estava ali porque precisava amar mais; precisava consolar o coração de Jesus; precisava ser um bálsamo; um refrigério para o coração ferido de Jesus. E nós somos chamados a isso, essa é a nossa vocação!

Somos chamados a viver a experiência de João, o discípulo amado, que está ao lado do seu Senhor até às últimas consequências

“Na nossa vida, nós somos chamados a olhar pra Deus e que só tem uma fraqueza: continuar nos amando. Não podemos desperdiçar esse amor. Possamos hoje volta a nossa vida para esse Deus que nos ama” (Frei Adailson, O.Carm).