O que buscamos?

Todos os dias acordamos, levantamo-nos, comemos, trabalhamos, bem, corremos na busca de algo. Todo o ato de trabalho cotidiano da humanidade representa sua busca por aquilo que a preencha e sacie suas necessidades básicas, como alimento, prazer, tempo, o sentido da vida ou o motivo de sua existência. Entretanto, a mais pura verdade é sua procura incessante pela plena realização, que só pode ser encontrada por meio do amor.

Toda atividade realizada para suprir carências materiais é na verdade representações visíveis do instinto humano de uma constante procura pelo alto, pelo saciar de sua indigência espiritual. Peguemos um homem qualquer como exemplo, enquanto ele trabalha para levar aquilo que é preciso para sua casa e saciar, as veleidades de sua família, ele na verdade, procura incansavelmente em todas as suas atividades, além de cumprir suas obrigações, suprir os desejos daqueles que lhe foram confiados, para que ele próprio possa se realizar, seja, por exemplo, pela sensação de “missão cumprida”, mas também pelo abastecer-se por meio do amor transmitido e pelo alívio adquirido na ação.

O sentimento até então citado, de alívio ou “missão cumprida”, se observado de uma perspectiva que visa de maneira abrangente e focada no transcendente, nos revela que o homem usado como exemplo no parágrafo anterior, recebe e transmite a presença de Deus nos seus atos. A missão dada àquele homem, não é somente oferecer a matéria necessária para a sobrevivência dos que o circundam, mas também oferecer o espírito necessário para que aqueles que estão a sua volta sobrevivam unidos por meio do amor, para uma plena realização do grupo.

Este amor claramente vem d’Aquele que é o mais puro Amor, o próprio Deus. Exatamente por esse motivo, apesar dos sentimentos gratificantes do ato realizado pelo homem e recebidos pelos que lhe foram confiados, não é perfeito. O homem, por mais que trabalhe para se gratificar pelo amor que transmite e os seus por mais que acolham todas as graças do amor recebido não estarão satisfeitos espiritualmente somente com essa parcela de doação e afeto.

A humanidade busca de fato não o “tapar de buracos” de suas indigências materiais, mas sim uma plena purificação de seu ser espiritual para que seja acolhido na presença de Deus que é Pai. A humanidade é carente da presença de Deus e essa carência não pode ser remediada por atos humanos, mas sim por um colo que transcenda sua carne e toque a sua alma e a aconchegue e compreenda seus prantos.

De fato “aconchegue e compreenda seus prantos”, pois cada indivíduo sabe que em seu interior há algo que só pode ser revelado para aquele que realmente entende tudo ao redor daquela sensação e que possa de fato demonstrar compreensão ao ponto de corrigir qualquer “defeito” de seus atos, que possa torná-lo inteiramente pleno de realização espiritual.

Essa realização como dito no primeiro paragrafo é encontrada por meio do amor, só quem compreende inteiramente uma criatura, é seu criador; só quem pode dar-lhe amor é a pessoa do Amor. Portanto, o que buscamos tão incansavelmente todos os dias em todos os momentos e atividades, é o amor, não sendo ele, imperfeito como o transmitido de uma pessoa para outra, mas sim o perfeito Amor, seu Criador, aquele que se doa por sua criatura para que ela seja feliz eternamente.

Fábio Victor Vilela Dantas (Postulante / Mogi das Cruzes)