Paciência: “Parai e reconhecei que sou Deus”

“Parai – disse ele – e reconhecei que sou Deus; que domino sobre as nações e sobre toda a terra.” Salmo 45,11

“A paciência em Deus quem a tem, nada lhe falta. Só Deus basta!”. Quantas vezes orei essa frase de Teresa de Jesus em minha vida. PACIÊNCIA!!! Palavra complicada e desafiadora atualmente.

Vivemos em tempos que esperar é algo quase intolerável. No passado, a demora se media em dias e meses. Hoje, ela representa o que vai do instante em que o computador é ligado e o programa aparece na tela, ou o micro-ondas para aquecer o café, ou o que a pessoa leva para atender ao telefone, ou o semáforo mudar de vermelho para verde. Isto significa que a impaciência se instalou com tal prepotência em nós e o tempo passou a ser medido pelos segundos.

Mesmo quando a espera é insignificante, dificilmente conseguimos controlar os nossos sentimentos. Tudo isto faz
parte da existência do homem dito “moderno”.

A sabedoria popular afirma que a paciência é a arte de saber esperar. O problema, com esta definição, é se fundamentar em crer que a nossa “atividade” principal consiste na espera, quando não podemos fazer o tempo correr mais depressa.

O salmista nos fornece um importante elemento no processo de acalmar o espírito e dominar os impulsos do desespero: “Parai – disse ele – e reconhecei que sou Deus.”

Nosso chamado primordial é orientarmos nossa existência integral aos constantes convites de Deus para andarmos com Ele e buscá-lo nas situações mais frustrantes. Assim sendo, poderíamos definir a paciência como o desafio para nos deleitarmos em Deus, quando as circunstâncias procuram nos levar à preocupação, à ansiedade e ao
ativismo.

Considere esta situação típica. Estamos na fila em uma repartição pública. Entregamos os papéis, e aí chega um funcionário para dizer que o sistema do computador “caiu”. Todos terão que esperar até que volte. Quanto tempo vai levar?

Ninguém sabe! Pensamos nas inúmeras coisas que temos de fazer. Coisas ruins vêm à mente contra o governo, os funcionários, o sistema, etc.! Quanto maior a demora, mais cresce a nossa inquietação interior e mais visível fica o nosso desconforto. Com certeza podemos afirmar que estamos esperando, mas não desfrutando do momento.

Perdemos ali uma excelente oportunidade para entrar em sintonia com Aquele que é o Senhor de tudo. Quando temos um olhar em sabedoria, tenho certeza que andaremos em sabedoria. Ou seja, dar respostas e atitudes adequadas ao momento certo sem se deixar raptar por aquilo que passa. E olha que passa! Tudo passa! O sofrimento muitas vezes nos rapta porque esquecemos desta verdade.

Pense… O nosso maior desafio em momentos de aborrecimento pelas intoleráveis demoras é aquietar o espírito. Guardar uma paz interior. Creio que uma atitude benéfica que podemos exercer é tirar os olhos das circunstâncias e elevá-los a Deus, para saber que Ele reina soberano em todos os momentos. Na próxima vez, que estiver em meio a uma situação sobre a qual não tenha controle, concentre-se na presença de Jesus e permita que Ele o conduza às águas de descanso.

+ Com mãos postas rogo a bênção de Deus pra si e os seus. E orem por mim!

Frei Rothmans Darles de Campo, O.Carm