Semana Carmelitana: Frei Adailson explica sobre métodos para rezar melhor

Entre os dias 7 e 9 de dezembro, o Prior Provincial, Frei Adailson dos Santos, O.Carm, ministrou uma formação na 7° Semana Carmelitana, promovida pela Igreja do Carmo, de Itu/SP. Ele falou sobre o tema “A meditação cristã” e se debruçou sobre a importância da oração.

No primeiro dia, Frei Adailson falou acerca da necessidade das pessoas de silêncio, recolhimento e meditação e sobre o que é a oração.

“A oração, encontro entre Deus e o ser humano: encontro que acontece no fundo da alma, lá onde a Bíblia chama de “coração”. Neste coração está o centro de nossa vida religiosa. É ali que Deus mora, e é desta profundidade do espírito que Deus fala. Mas não se pode escutar esta Palavra de Deus. O encontro se torna impossível quando uma multidão turbulenta de diferentes pensamentos e sentimentos, de afetos e desejos… se aglomeram no coração. É necessário sossego, silêncio, liberdade interior. A pureza de coração mesmo. Um só apego humano pode obscurecer a nossa visão ou encontro com Deus: aqui está a raiz de toda a oração precisamos ser capazes de colocar Deus acima de tudo e de todos. A oração do cristão é essencialmente oração de Cristo. A oração, no seu conteúdo genérico, é a vivência de uma relação pessoal e verdadeira entre o ser humano e Deus.” 

No segundo dia, o Prior Provincial falou sobre os métodos de oração de Santo Inácio e Santa Teresa D’ávila: 

É com Santo Inácio que o método de oração mental se fixa definitivamente e ocupa lugar preponderante na piedade cristã. O método inaciano é composto de uma introdução, uma oração preparatória, dois prelúdios, o corpo da oração e o colóquio:

A) A oração se inicia com a colocação na presença de Deus. É preciso tomar consciência do olhar de Deus e de quem sou eu;

B) A Oração preparatória consiste em pedir a Deus a graça de que todas as minhas intenções, atividades e realizações se voltem unicamente para o louvor de Deus;

C) Primeiro prelúdio: passado os limiares da oração, somos chamados a situar o lugar, isto é, imaginar a cena onde se desenvolve aquele mistério;

D) Segundo prelúdio: consiste em pedir a Deus a graça, conforme o tema que meditamos. Toda a pessoa vai em direção ao coração do mistério já desde o início da oração. O resto será apenas ir abandonando a partir daqui;

E) O corpo da oração: enquanto os momentos anteriores estavam em nossas mãos, este momento se faz na experiência da ação de Deus. Tudo tende à integração dos próprios afetos em torno da Palavra;

F) Colóquio: é o momento no qual o amigo fala ao amigo. É o momento no qual a aquela graça inicial o reencontra dentro como dom. O colóquio conclui a oração, mas também pode nos acompanhar durante a jornada.

O método teresiano está em coerente relação com o seu conceito de oração: “trato amigável no qual a alma fala muito intimamente com Aquele que conhece o seu amor por ela”.

a) A preparação consiste em colocar-se formalmente na presença de Deus, orientando-se em direção a Ele com um bom pensamento.

b) Para convencer-se do amor de Deus por ela, a alma escolhe como tema de reflexão uma verdade da fé, capaz de manifestar este amor: por isso, se dedica à leitura de uma passagem apropriada;

c) Mas não basta ler. É necessário aprofundar com a reflexão, isto é, com a meditação. 

d) O agradecimento, com o qual, depois de haver repetido ao Senhor que o amamos, manifestamos a ele nosso reconhecimento por todos os benefícios dEle recebidos;

e) A oferta, com a qual, convictos de haver recebido tanto, procuramos retribuir o melhor possível apresentando ao Senhor qualquer bom propósito, coisa que sempre será bom fazer para terminar a oração;

f) A súplica, com a qual, convencidos de nossa pequenez e fragilidade, imploramos a ajuda de Deus.

No terceiro dia, Frei Adailson falou sobre a importância do silêncio como a melhor forma de se preparar para a meditação.

“Quando você começa a meditar, gaste alguns momentos para se sentir realmente à vontade. Quando você já estiver sentado e bem quieto, feche seus olhos e depois comece a repetir, interior e silenciosamente no seu coração, a palavra MARANATHA. A essência da meditação e a arte da meditação consistem simplesmente em aprender a dizer essa palavra, recitá-la, repeti-la, desde o começo até o fim da meditação.” 

E explicou ainda que o tempo mínimo é de cerca de vinte minutos, o tempo ideal, ótimo é de trinta minutos.

“A meditação favorece nosso espírito a entrar totalmente em harmonia com o Espírito de Deus. Mas, se vocês desejarem aprender a meditar e a viver suas vidas nas profundezas do seu ser, vocês precisarão construir isto no seu quotidiano e abrir espaço nas suas vidas todas as manhãs e todas as noites.”