Sexta-Feira Santa: Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo

Um rito de entrada diferente dos outros dias do ano litúrgico: em paramentos na cor vermelha, lembrando o sangue, ministros adentram o templo e se prostram diante do altar, simbolizando a humanidade contrita e penitente. Não se ouve o canto de entrada; em vez disso, toda a assembleia, que em unidade acompanhava pelas redes sociais, mergulha num silêncio solene, que dura alguns minutos, até que o presidente da celebração se reerga e recite a oração do dia. Como em toda a Igreja, no ocidente, assim também, às 15h (horário de Brasília), desta Sexta-Feira Santa, 10 de abril, teve início a liturgia da Paixão e Morte de Jesus Cristo, na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Lapa do Desterro (RJ).

Presidida pelo Prior Provincial da Província Carmelitana de Santo Elias, Frei Adailson dos Santos, O.Carm., o memorial da Paixão e Morte do Senhor foi concelebrado pelo Diretor da Associação Beneficente São Martinho, Frei Renê Augusto Vilela, O.Carm., em torno dos quais se reuniram dezenas de fiéis pela internet, que contemplaram, no Evangelho do discípulo que Jesus amava, o mistério do Crucificado que amou até o fim. A celebração contou, ainda, com a presença do Ecônomo Provincial, Frei Eduardo Ferreira, O.Carm.

O rito deste dia compõe-se de quatro momentos: Liturgia da Palavra e a Oração Universal, Adoração da Cruz e Comunhão Eucarística. Como em todos os anos, a Liturgia da Palavra, desde a Primeira Leitura, procura aproximar os fiéis da alma sofredora do Cristo, prefigurada na profecia de Isaías (Is 52,13-53,12), escrita há cerca de 8 séculos a.C e considerada de um realismo tal, que o texto é chamado por muitos “o 5º evangelho”.

Após a Proclamação da Paixão, Frei Adailson recordou que a Sexta-Feira Santa deve ser também um dia de penitência, jejum e abstinência. O Prior Provincial afirmou que celebrar a Paixão e Morte do Senhor significa olhar fixamente para Deus, que se encarnou e se entregou na sua totalidade.

“Jesus ia ao encontro de todas as pessoas, procurando de forma singela e doce, apresentar o amor do Pai e testemunhar esse amor para cada um desses irmãos, mas não somente para eles, mas para todos aqueles que estavam abertos a acolher essa mensagem, que o Filho traz do coração do Pai para a humanidade. Não existem palavras para mensurar o tamanho desse amor gratuito e de doação do próprio Cristo por cada um de nós e por toda a humanidade”, ressaltou o frade.

Frei Adailson ponderou também que, ainda hoje, ao olharmos para a nossa sociedade, encontraremos muitos corações fechados a esse mesmo amor de Cristo, que continua, do alto, a ser derramado, anunciado e proclamado. Para o religioso, muitos ainda se fecham e optam por não serem alcançados pelo amor de Jesus Cristo que, mesmo assim, não deixa de amar nenhum de seus filhos.

“Hoje é dia de fazermos memória da vida de um Deus que passou fazendo o bem para a humanidade. E essa mesma humanidade não o acolheu, o desprezou, o chicoteou, o levou ao alto de um madeiro na Cruz, mas, mesmo assim, o Senhor olha para essa humanidade e entrega-se por amor. O amor de Cristo e sua presença jamais poderão ser arrancados e tirados da humanidade, pois se materializam através dos sacramentos. A morte de Jesus não foi em vão, não foi o fracasso do projeto de Deus, não é o fim do seu amor pela humanidade, muito pelo contrário, é a confirmação do quanto Ele ama cada um de nós. Precisamos, apenas, abrir o nosso coração e sermos acolhidos por esse amor que se entrega e se doa. O Cristo é o dom total de si mesmo e do amor do Pai para com toda a humanidade”, garantiu.

O Prior Provincial finalizou sua mensagem exortando todos os fiéis que, mesmo diante da pandemia do novo coronavírus (COVID-19), em que todos estão em isolamento social vivenciando uma verdadeira experiência do que é a ‘Igreja Doméstica’, é importante continuar renovando o amor por Cristo, buscando uma profunda mudança pessoal, pautada por esse amor de Jesus pela humanidade.

Terminada a homilia, o carmelita conduziu a Oração Universal, em que a Igreja, repetindo o gesto de Jesus, intercede por toda a humanidade, para que a redenção operada por Cristo alcance todas as pessoas, em todas as circunstâncias e em todos os tempos. Na sequência, Frei Adailson iniciou o rito de Apresentação e Adoração da Cruz. Neste dia em que não há apresentação nem consagração das oferendas ao Pai, os frades presentes comungaram do Corpo e do Sangue de Jesus nas hóstias que foram consagradas na noite da Quinta-Feira Santa, durante a Missa da Ceia do Senhor.

Com a conclusão da oração para depois da Comunhão, Frei Adailson pronunciou a Oração sobre o Povo, em que se pede ao Pai a bênção que comunica o perdão, o consolo, a fé verdadeira, para seja confirmada, sobre o povo, a redenção pelo Mistério Pascal de Cristo.

Foto: Frei Adailson dos Santos