Um boa ação missionária se dá com joelho no chão

No domingo, 24 de outubro,  a Igreja celebra o 95° Dia Mundial das Missões e o tema escolhido pelo Papa Francisco é extraído dos Atos dos Apóstolos: “Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos” (At 4,20).

O Santo Padre escreve: “Como os Apóstolos e os primeiros cristãos, também nós exclamamos com todas as nossas forças: ‘Não podemos deixar de afirmar o que vimos e ouvimos’ (Atos 4, 20). Tudo o que recebemos, tudo aquilo que o que o Senhor nos tem concedido, ofereceu-nos para o pormos a render doando-o gratuitamente aos outros. Como os Apóstolos viram, ouviram e tocaram a salvação de Jesus (cf. 1 Jo 1,1-4), também nós, hoje, podemos tocar a carne sofredora e gloriosa de Cristo na história de cada dia e encontrar a coragem para partilhar com todos um destino de esperança, esse traço indubitável que provém de saber que estamos acompanhados pelo Senhor”.

Frei Rothmans Darles de Campos, O.Carm, dá dicas de como os fiéis podem viver a dimensão missionária no dia a dia.

“Quando mais fizemos o exercício de rezar, de meditar a Palavra, mais iremos nos relacionar com  Jesus e quanto mais nos relacionarmos profundamente com Ele, mais Ele habitará dentro de nós. Dessa forma, viveremos conforme os ensinamentos do Mestre, fazendo da nossa vida uma configuração da pessoa de Jesus, que é missionário”.

Ele explica também o que é ser missionário no contexto atual, especialmente neste tempo de pandemia que vivemos.

“A Igreja é realidade vivencial da pessoa de Jesus orientada pelos seus pastores. Cada pastor dá o seu tom e hojeo  Papa Francisco nos diz que a Igreja deve estar em saída, deve estar a caminho das periferias existências. Sendo assim, um campo fértil para ser missionário são as plataformas digitais. Precisamos usar os meios de comunicação. Vemos com a pandemia, que a Igreja não ficou confinada dentro do tempo, fomos além das fronteiras da paróquia. Hoje podemos dizer que a assembleia cristã é muito maior do que aquela está dentro do templo”

Frei Rothmans enfatiza ainda que uma boa ação missionária se dá com joelho no chão.

“O povo espera ver no seu pastor aquilo que ele prega, aquilo que ele vive. Então, a vida cristã se dá nesse movimento, quanto mais vida interior temos, quanto mais nos desinstalarmos de nós mesmos, e mais nos configurarmos a Cristo, mais iremos evangelizar”.

Ele finaliza explicando como os frades carmelitas são chamados a viver a dimensão missionária.

“A vida do carmelita por si só já é missionaria. Nós levamos ao mundo a experiência do contemplado, aquilo que bebemos no seio da Igreja, aquilo que vivemos nas nossas celas: vida fraterna, contemplativa, de oração. No cotidiano, somos chamados a levar o que Deus é. Deus é amor, Deus existe, a nossa esperança não está neste mundo. A missionariedade do frade carmelita é anunciar a experiência do Contemplado e isso podemos colocar em tudo: nas escolas, nas paróquias, nos hospitais, nas obras sociais”.