Vocação Carmelita

“Em tudo o Evangelho e nada mais”

O carisma carmelita oferece ao mundo homens e mulheres consagrados que, pela sua opção de vida, atuam na sociedade como fermento na massa, fazendo o Reino de Deus crescer entre os desafios do tempo presente. A Ordem do Carmo existe há mais de 800 anos vivendo o tripé da Contemplação, Fraternidade e Missão Profética.

Nesses oito séculos, “a vocação para o Carmelo não ficou mais ou menos exigente. O Jovem não encontra no Carmelo nada de extraordinário ou ‘mágico’. Encontra o Evangelho vivido na simplicidade e na radicalidade de quem ouve e pratica o que está escrito. Encontra a pequena via de Santa Teresinha, o caminho de Perfeição de Santa Teresa, a subida do Monte de João da Cruz, a cruz de Santa Teresa Benedita da Cruz, a profecia do Beato Tito, a vida simples e despojada de Ângelo Paoli. Encontra em tudo o Evangelho, e nada mais”, afirmou Frei Paulo Ricardo Ferreira, atual promotor vocacional.

A vocação para o Carmelo, como todo chamado de Deus, exige renúncia e seguimento radical a Cristo. Uma sadia radicalidade que alicerçada na vida de oração conduz os carmelitas à missão. Essa radicalidade vivida na simplicidade e fraternidade é, para Frei Paulo Ricardo, o segredo para que o carisma continue vivo e atraente para os jovens. “O jovem quer seguir a Cristo, mas não quer segui-lo de qualquer jeito. Ele quer ser radical no seguimento. Por isso que a vocação para o Carmelo ainda encanta e encantará gerações, pois oferece pelos votos de pobreza, castidade e obediência a radicalidade de Cristo”, destacou o religioso.

Em meio ao barulho incessante do mundo contemporâneo, o silêncio do Carmelo traz vida e esperança para a humanidade. “O silêncio do Carmelo faz-nos ouvir a Deus, rebatendo uma cultura barulhenta e desfigurada. A contemplação é nossa base e é por isso que ‘ser carmelita é ser contemplativo’. Nada se faz com perfeição se antes não for iluminado pela contemplação. Creio que seja esta a nossa grande missão nos dias atuais: fazer acontecer o Carmelo onde estivermos. A vida de oração, a fraternidade e a missão Profética, deve continuar a existir de uma forma nova, mas não como mais uma ‘novidade’. Porque senão cada um irá fazer do jeito que acha melhor. Nosso carisma se atualiza não inventando, mas tornando novo aquilo que nos fez chegar neste século. Oferecer ao mundo nossa vida autêntica de contemplação, oração, fraternidade e profecia é o grande desafio para nós, carmelitas deste século”, pontuou.